As relações públicas também vendem, e não é só noticias

Principalmente quando se trata de histórias e de jornalistas. É preciso criar um ângulo interessante, compreender os diferentes públicos de cada publicação, ter paciência e evitar abordagens agressivas.

Este é o campo da assessoria de imprensa, das relações com os media. E pode ser medido se prestarmos atenção aos press releases enviados e às noticias que surgem nos jornais.

Como serviço, este deve ser o mais vendido pelas agências de relações públicas. Mas há muitos outros. Temos áreas de gestão de reputação, consultoria, pesquisa de opinião, gestão de crise e uma série de outras.

A web social abanou estes conceitos quando inseriu a necessidade de relacionamento com os bloggers, análise de tendências online, aconselhamento de empresas criadas sem qualquer suporte físico e a criação de redes para a comunicação interna.

E se estivermos a pensar numa empresa e no contacto com o público, as relações públicas ainda estão muito presas aos conceitos tradicionais.

Mas visto que uma organização comunica com vários públicos a questão que se coloca é : O que a web 2.0 nos ensinou pode ser aplicado a toda a comunicação da empresa ?

Eu acho que sim, se se tratar de comunicação orgânica. Orgânica no sentido em que surge naturalmente, pelas reclamações dos clientes e outro feedback. Mas se tomarmos outras organizações como públicos a avaliação é outra.

As empresas não comunicam entre si de modo orgânico. Em vez disso criam processos para o fazer. E enquanto eles funcionarem vão manter-se fieis aos mesmos. Porque as empresas só inovam quando a inovação dá provas de estabilidade e de ser mais do que uma moda.

As maiores empresas de relações públicas tendem a ter grandes empresas como clientes. E geralmente é o serviço de relações com os media que vende mais. E estas empresas não apostam noutros serviços porque esses ainda são pouco procurados. Porque no campo empresarial a web 2.0 ainda precisa de dar provas e de identificar aquilo que é moda e o que está cá para ficar.

2 thoughts on “As relações públicas também vendem, e não é só noticias”

  1. Bruno,

    A verdade é que os estudos que ligam Relações Públicas e variação nas vendas têm sido evitados por se acreditar que esse pode ser um factor mediado por outras variáveis (naturalmente os 4 p’s do Marketing entram na lista das principais).

    No entanto, o estímulo daquilo a que chamas comunicação orgânica (ou “comunicação com base em sinergias” – synergistic communication – como alguns autores se lhe referem) é sem dúvida uma das principais áreas de trabalho das RP para o futuro.

    Este tipo de efeito é aquilo que procuram os profissionais de RP que já deixaram de entender as RP como relações com os media e que não consideram os meios de comunicação social como a principal forma de comunicar. Aliás, os meios de comunicação social representam a filosofia do “comunicar para” enquanto que aquilo de que estamos a falar é uma filosofia de “comunicar com”.

    Esta abordagem (que a web 2.0 veio potenciar como nunca antes no passado) passa por identificar públicos e conhecê-los não na óptica descritiva do marketing (descrever as variáveis socio-demográficas ou psicográficas que condicionam a compra) mas na óptica compreensiva das Relações Públicas (conhecer os mecanismos de comunicação, a agenda das suas preocupações e a forma como formam uma opinião colectiva. Só compreendendo estes factores podemos criar sinergias e envolver os públicos em relações de partilha em que ambas as partes ganham).

    Um caso real em que participei numa abordagem destas foi o lançamento do primeiro crédito habitação para imigrantes em Portugal. A abordagem foi a de mapear e conhecer as associações de imigrantes e outras instituições relacionadas, comunicar directamente com esses públicos (as relações com os media complementaram, mas não foram o aspecto essencial) e conseguir que as suas próprias redes de comunicação e sociabilidade fizessem a sinergia ao nível da comunicação. Complicado? Nem por isso, desde que os profissionais de RP tenham possibilidade de sair da rotina mental e começar a pensar os problemas de forma diferente.

    JD

  2. Como já disse, acho que há contextos em que as RP são vistas como ferramenta do Marketing.

    E concordo com o que disseste, é preciso conhecer os públicos e saber como é que eles comunicam.

    Mas nos casos em que as RP estão presentes como uma ferramenta de marketing, como é que as vamos defender? Os marketeers sempre se podem apoiar nas estatísticas, nós temos de procurar métricas para defender a importância da comunicação de qualidade.

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