Há empreendedorismo em Portugal?

Segundo as entrevistas informais do André Ribeirinho no Barcamp deste ano, sim.

Mas é necessário colocar em causa a razão porque tantas pequenas e médias empresas falham. Se é por falta de apoio, dificuldades de comunicação ou algum outro factor.

Da minha parte, só espero que as startups representadas no Barcamp tenham todo o sucesso possível. Estamos a precisar de bons exemplos de empreendedorismo.

5 thoughts on “Há empreendedorismo em Portugal?”

  1. Como em qualquer outro local, a principal causa para falharem e nao terem um modelo de negocio bem estruturado, logo seguida da perda de interesse dos envolvidos.

  2. em termos de “entrepreneurship” existem algumas idiossincrasias tugas interessantes. por exemplo, as estatísticas (e alguns estudos) indicam uma cultura dupla. a sociografia dos empresários mostra que a percentagem destes com estudos superiores é diminuta. a sociografia das pessoas com graus superiores mostra que as taxas de criação de empresas entre essas pessoas são reduzidas. o que é que isso quer dizer? quem tem curso raramente arrisca lançar-se por conta própria (mesmo, curiosamente, em cursos de gestão de empresas). o tecido empresarial é, em termos gerais, menos qualificado. há seguramente empreendedorismo em portugal… mas estatisticamente tem uma expressão reduzida (pelo menos, este tipo de empreendedorismo inovador) e o perfil dos empreendedores (destes empreendedores, at least) é, curiosamente, muito homogéneo: mais gente das tecnologias do que da organização e gestão de empresas. curioso, não é? 😉

    1. talves a resposta para esse empreendedorismo não esteja em qualificação da pessoa(formação acadêmica), mas sim numa experiência social ímpar que a mesma venha desempenhando, pois cria-se uma vasta percepção das coisas quando se esta atualizado com o meio , com as tendências …

  3. Apesar de haver questões culturais que levam as pessoas a arriscarem mais ou menos e criarem novas estruturas, Portugal é um país em que a burocracia, os custos sociais, e a falta de flexibilidade no mercado de trabalho implicam que a criação e a manutenção de uma empresa seja algo complicado até se atingir uma massa crítica considerável de negócio.

    Burocracia – apesar do processo da criação de uma empresa já ter sido bastante simplificado, ainda há um conjunto enorme de requerimentos complexos em relação ao registo contabilístico, de pessoal, licenças, etc., que necessitam a contratação de um consultor externo (ou mais do que um) para conseguir compreender e cumprir.

    Custos sociais – só o custo da segurança social esconde muito o que as empresas pagam de facto por trabalhador. Imaginemos alguém cujo salário bruto seja €1000. Desse valor, será descontado 11%, recebendo o trabalhador só €890. Mas a empresa terá que pagar 23.75%, ou seja, gasta com esse trabalhador €1,237.50. Sem contar com o imposto de renda (IRS), um trabalhar recebe só 72% do que a empresa gasta em custo efectivo (o valor real ainda é mais baixo, visto que há ainda a descontar o IRS).

    Falta de flexibilidade – devido à existência de uma desigualdade entre as empresas e trabalhadores quanto a quem é que pode (e como) romper o vínculo entre as duas partes, as empresas pequenas têm muito receio de contratar mais pessoas em alturas que têm mais negócio, porque depois existe na prática um custo muito alto para romper esse vínculo caso as situações de mercado não garantam facturação para o pagamento dos salários. Criam-se duas situações: empresas que acabam por tentar alcançar objectivos mantendo as mesmas pessoas (muitas vezes falhando), e outras em que se criam vínculos sem qualquer protecção social (os recibos verdes).

    Eu acho que em Portugal as pessoas são empreendedoras, mas o somar de todas as pequenas (e algumas grandes) dificuldades acaba por tornar possível a existência de empresas já com algum tamanho, só conseguindo chegar a esse patamar empresas muito bem financiadas, e não aquelas que surgem meramente da vontade e do trabalho das pessoas. É um sistema com objectivos socialistas mas que cria um mau capitalismo.

  4. Fala-se muito em modelos de negócios e empreendedorismo mas raramente estes projectos partem de bases sólidas. Falta-lhes visão e um certo idealismo. É importante “monetizar” mas sem ter um fim claramente definido, não vão lá. Repetindo aqui as palavras de Umair Haque, “forget business models. Focus on ideals.” Neste post, ele refere uma série de empresas de sucesso que estabeleceram ideais bem sólidos como a Google (“disponibilizar toda a informação do mundo através da Web”), a Apple (proporcionar uma experiência de utilização centrada totalmente nas necessidades do utilizador através de um design ímpar), a Nintendo (conceber jogos e plataformas de jogos que agradem a toda a família) e a Threadless (desenha tu próprio a roupa que vestes).

    São características como estas que dão personalidade a uma empresa e que a aproximam dos seus consumidores. O valor que elas criam não é apenas para os accionistas mas para os seus utilizadores. É uma situação win-win :-) É claro que para chegar a esse ponto de equilíbrio é preciso fazer um certo trabalho de evangelização para o qual muitos “empreendedores” nacionais não estão propriamente voltados 😉

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