O lado negro das Relações Públicas

O marketing é sempre acusado de ter um lado negro. De tentar manipular o publico a comprar, de se preocupar mais com as vendas do que com as pessoas.

Mas as relações públicas também possuem a sua faceta menos conhecida.

O post anterior falava da hierarquia de necessidades de Maslow. E se olharmos para essa lista notamos que a maioria das nossas necessidades se relaciona com a vida em sociedade. Ou seja, a comunicação é uma parte muito importante da nossa vida. Atenção ao pormenor, essas necessidades são a maioria, mas não são tão importantes como as necessidades básicas, obviamente.

As relações públicas dentro de uma empresa alimentam-se principalmente da nossa necessidade de sentir que pertencemos a algo. Da mesma forma, alimentam-se também da nossa necessidade de sentir que atingimos um objectivo.

Isto não é necessariamente mau, mas os gabinetes de relações públicas aproveitam estes factores para fazer dos funcionários pessoas mais produtivas. Por isso é que há festas de natal da empresa, convívios programados, pequenas regalias e prémios.

Teoria das Relações Humanas

Elton Mayo é o responsável por esta ideia. Realizou várias experiências com os funcionários de uma fábrica da Western Electric, em Hawthorne. Isto passou-se em 1924 e 1931. Mayo alterava factores como a luz e a temperatura da sala para os relacionar com a produtividade.

Os factores afectados por Mayo não tiveram qualquer efeito na produtividade. Em parte porque se estava na altura da Grande Depressão. O que influenciava a produtividade estava mais relacionado com os aspectos sociais e a necessidades de reconhecimento.

Os trabalhadores trabalhavam mais porque sentiam que a administração estava preocupada com o seu bem estar, e que os supervisores lhes davam atenção especial.

Principais conclusões da experiência de Hawthorne

  • O trabalho é uma actividade tipicamente de grupo, e o nível de produção é influenciado pelas normas do grupo (e não apenas pelos incentivos salariais).
  • Um trabalhador não reage como um indivíduo isolado, mas como um membro de um grupo em estreita relação de abordagem e de integração com os colegas.
  • A actividade principal da administração é formar, preparar chefias que sejam capazes de compreender e comunicar, tendo de o fazer com elevado espírito democrático, sendo persuasivos e simpáticos.
  • Cada trabalhador é motivado, essencialmente pela necessidade de ser reconhecido pelos outros como parte de um grupo.
  • Descoberta de uma organização informal, isto é, para além das normas, há grupos sociais informais que se formam espontaneamente, e estão espalhados por toda a organização.

A Escola das Relações Humanas veio dar origem à Sociologia do Trabalho. E parte do papel de um gabinete de relações públicas é identificar os grupos que se formam dentro e fora da organização. Perceber como comunicar com eles e como ajudar à sua integração. Uma das críticas feitas à Escola das Relações Humanas, e por tabela às Relações públicas, é que instrumentalizam o individuo.  No seu extremos, esta instrumentalização é o lado negro das Relações Públicas.

Não me parece que essa critica seja assim tão negativa. O objectivo é criar um bom ambiente de trabalho, por isso é que tentamos perceber quais são as necessidades em causa, individuais ou colectivas. Como já falei num artigo anterior sobre a hierarquia de necessidades de Maslow.

Em resposta a esse artigo, o Mário Silva aproximou-se bastante desta ideia. Só faltou mencionar o funcionamento do grupo além da comunicação com os grupos por parte das Relações Públicas.

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