Sai um cafézinho para a mesa do IEFP

O Sérgio Rebelo alertou para um video IEFP no seu blog doispontocinco. E realmente, é uma bela argolada por parte de quem organizou o projecto.

O vídeo mostra duas pessoas a conversar sobre a procura de emprego. Uma delas, em vez de explicar porque é que tem dificuldade em procurar emprego, afirma que quer é ir para o café. Eu duvido que a administração do IEFP tenha esta imagem dos seus utentes. Mas se alguém deixou escapar isto, é porque alguma coisa não está bem. Quem terá sido o responsável ?

Uma situação destas mostra que o IEFP não conhece bem o público alvo nem tem empatia com quem está desempregado. Esta noção pode não ser correcta, mas não impede que o todo seja julgado pela parte. Ainda mais quando alguém deixa fugir uma mensagem deste género para um meio de difusão ilimitada, como é a Web.

É claro que para muita gente esta situação é a ponta do iceberg. Podemos apontar ao centro de emprego outras falhas mais graves mas que não são tão conhecidas. Um dos grandes problemas sempre foi a falta de diálogo com os utentes, online e offline.

Mas gostava de conhecer o vosso ponto de vista ou outra situação semelhante que tenham encontrado.

6 thoughts on “Sai um cafézinho para a mesa do IEFP”

  1. Hmmm.. eu tenho estado ligado à formação de uma empresa de telecomunicações nacional, e como tal tenho tido bastante contacto com candidatos que vêm geralmente do desemprego. Na realidade este quadro traçado pelo IEFP, pela minha experiência, não está tão errado quanto isso, mas vamos por pontos.
    1. Grande parte dos candidatos a emprego na empresa onde estou são, antes de mais, candidatos à remuneração que esta oferece apenas pela frequência da formação, i.e., a empresa paga entre 300 a 350 euros a quem complete a formação com aproveitamento e reúna as condições para integrar a empresa. Em 10% dos casos os candidatos revelam sem quaisquer reservas a sua intenção, frequentar a formação e não integrar a empresa, recebendo a remuneração publicitada, qualquer coisa como recolher os 2000 escudos sem passar pela casa de partida no ‘Monopolio’. Cerca de 40% têm estas mesmas expectativas, mas não o revelam. Quando são confrontados com o grau de exigência da avaliação que é feita, a maioria desiste, o que me leva a crer que o investimento que teriam que fazer em esforço para chegar ao final, não compensa o tempo gasto (as 4 semanas de formação) nem a remuneração anunciada. Dos 50% restantes, que em regra terminam e são integrados na empresa, cerca de 30% desiste num período que vai da primeira semana até ao final do primeiro mês, geralmente por não se adaptarem à função, carga horária, ou porque surge uma oportunidade profissional melhor. Isto deixa-nos com 20% dos candidatos, aproximadamente, em funções.
    2. De entre os ‘desistentes’ a generalidade está a receber o subsídio de desemprego e um número elevado confessa que enquanto tiver direito ao subsidio não vai recomeçar a trabalhar a contrato. Muitos acumulam o subsidio com prémios de formação semelhantes ao que a empresa onde trabalho oferece e com trabalho precário e temporário, que não implique a perda do subsídio.
    3. Os 20% que ficam na empresa, e que constituem o grupo de trabalho, representam actualmente, em Lisboa, cerca de 40 pessoas em turnos rotativos de 4, 6 e 8 horas. Os horários são fixos, com 2 folgas semanais fixas, as regras e leis laborais em vigor são cumpridas integralmente. Apesar das condições, a empresa apresenta uma taxa de absentismo de 25% em média. Estamos a falar de 10 pessoas em média (com maior incidência às sextas, sábados e segundas, dias que coincidem com as folgas).
    4. Todos estes elementos servem para estabelecer que a generalidade dos trabalhadores Portugueses têm comportamentos desviantes no que toca à ética laboral. Reformulo, são aversos a qualquer tipo de regras laborais. Isto acontece em todas as empresas, mais numas do que noutras é certo, mas basta ler nos jornais as notícias sobre a Autoeuropa, ou a Opel da Azambuja, dois importantes polos de emprego e desenvolvimento económico nacionais que estão em risco de sair do país, e que apontam as taxas de absentismo a par com como uma das causas da baixa produtividade e subsequente aumento dos custos que apresentam como razões para a deslocalização. É certo e inegável que os patrões Portugueses também não são nenhumas pérolas de investimento na qualificação e motivação dos funcionários. Faltam incentivos, condições de trabalho, as remunerações são baixas, as regalias resumem-se quase exclusivamente ao subsidio de refeição e pouco mais.
    Em suma, e depois de um grande desvio, não creio que o video seja assim tão descabido, é se calhar demasiado honesto, possivelmente vai agitar as massas, aposto que alguns partidos mais popularuxos e sindicatos vão alegar a honra e o bom nome do trabalhador Português, mas a realidade está à vista: não gostamos de trabalhar, levamos para casa tudo o que não esteja rebitado ao chão (resmas de papel, clips, agrafos, tinteiros de impressora, etc.), andamos sempre a tentar lixar o patrão, fugimos aos impostos, tentamos safar-nos de descontar para a Segurança Social e depois reclamamos que as reformas são baixas, etc., etc., etc. Na realidade o video podia dizer “Eu queria mesmo era ir riscar o carro do meu ex-patrão, mas só se o pudesse fazer a partir do sofá e sem entornar a lata de cerveja, agora cá procurar emprego…”.

  2. Fox, como deves ter percebido, não concordo minimamente contigo. Conheço n casos de pessoas que estão à procura de emprego e QUEREM trabalhar. QUEREM fazer qualquer coisa, mas o emprego não aparece. Acabam por ir para serviços de call-center (que ainda vai havendo) receber 300 e tal euros por mês, sem formação em salas sem as mínimas condições de trabalho, defender uma empresa que presta maus serviços. Isto tudo com contratos de 15 dias. ou de um mês.
    Não me venhas dizer que as pessoas não querem trabalhar. Essas generalizações são muito perigosas, como aliás qualquer generalização.

    Acho até normal que entre um trabalho com turnos, más condições ou, nenhum trabalho mas com um subsídio equivalente ao salário auferido, as pessoas optem pelo nenhum trabalho.

    Se tás com dificuldade em encontrar pessoas que queiram trabalhar diz-me, porque eu conheço umas quantas que realmente precisam de um empreog e têm muita vontade de trabalhar.

  3. Sérgio, não ponho em causa que existam pessoas que queiram trabalhar. Eu quero, muitos outros querem, mas o meu texto reforça apenas que uma grande parte (e esta é comprovavel nos media, como disse) não quer. Eu concedo que as ofertas actuais, dentro do trabalho temporário não são aliciantes e até compreendo que as pessoas não estejam à vontade para as aceitar, mas isso não invalida que estejam a prejudicar o estado ao fazê-lo.

    Eu sou frontalmente contra o trabalho temporário, mas o que é certo é que está em pleno crescimento e mal regulado, o que dá às empresas total controlo sobre os funcionários, com contratos mensais e outras medidas menos éticas. A culpa, na minha perspectiva é da permissividade da legislação e nas imposições que são feitas às empresas no que toca aos contratos de trabalho sem termo (vulgo efectividade). A razão pela qual está em desuso é exactamente pelos maus exemplos, funcionários que quando se veem efectivos enconstam-se e deixam de ser produtivos, mais, se uma empresa quizer despedir um efectivo sem justa causa tem que lhe pagar uma remuneração elevada o que vai prejudicar a empresa.

    A empresa para a qual trabalho é uma empresa de recursos humanos a RHmais, preta serviço em muitas áreas, incluindo Call-Centers. Presta serviço em empresas como a Vodafone Portugal e TvCabo Portugal e tem, como disse, respeito (acima da média) pelos trabalhadores. Não oferece resistência a estatuto de trabalhador-estudante, de associativismo nem a faltas por exames, etc. Temos várias funcionárias grávidas e em licença de parto, ou licença de aleitamento sem quaisquer reservas. Oferece contratos mensais durante 1 ano e semestrais durante outro ano, após, efectividade na própria empresa. A remuneração é de 520 € por part-times de 6 horas e 650 € por full-time, como disse anteriormente, com duas folgas fixas semanais. Horários fixos, em turnos de 4, 6 e 8 horas, flexiveis. Estamos a recrutar (oustanding, o site do T agora tb tem ofertas de emprego) se as pessoas que conheces precisam, podem enviar o curriculo para bruno_simoes@netvisao.pt

  4. Fox conheço mtas pessoas dispostas a trabalhar por 650€ full-time podes enviar mais infos?
    Estas pessoas são da zona do Porto, envia-me todas as info´s possiveis.
    Obg

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