Writer’s block e as pequenas armadilhas dos blogs políticos

Tenho andado bloqueado. Bloqueado no sentido em que não consigo escrever. A ideia está cá e ecoa por todo o lado, mas acho que me foge pela boca antes de chegar aos dedos.

Queria contar-vos como os políticos que querem ter blogs deviam ter assessores. Explicar-vos que não me parece possível escrever um bom blog, criar um bom diálogo online sem a ajuda de alguém que nos ajude a evitar algumas armadilhas.

E há várias armadilhas nos blogs. Estas armadilhas podem ser uma série de pequenas coisas que no seu conjunto minam a dinâmica do blog e o resumem a “mais um”. A primeira são as actualizações.

Um blog não é blog se não for actualizado com alguma regularidade. Não precisa de ser todos os dias, pode ser uma vez por semana, ou cada quinze dias. O importante é que a actualização não seja oca. Como publicar a agenda para o resto do mês. Isso pode ter interesse para alguns jornalistas mas os visitantes mais interessados vão sentir-se um bocadinho enganados.

Porque além de ser actualizado com alguma frequência, um bom blog dá algo aos leitores. Por isso é que os blogs como o lifehacker.com ou o copyblogger.com são tão populares. Um blog politico, escrito por alguém com intenções de ser eleito, terá de dar aos leitores uma amostra da personalidade do candidato. E isto não se pode resumir ao período eleitoral. Tem de ser um esforço continuo ou então cai em saco roto.

Há alturas em que temos assuntos e inspiração suficientes para encher vários posts. Se for possível devemos aproveitar para as alturas em que a inspiração não é tão abundante ou o tempo é mais escasso.

Outra armadilha é o plágio. Ou o lapso de mencionar devidamente as fontes. É outro erro que faz o leitor sentir-se enganado e pode gerar reacções bastante negativas. O caso de Luis Filipe Menezes já mostrou isso.

Um bom blog arrisca-se e aceita comentários. Coloca-se na ribalta, assume que se pode enganar e que está disposto a ouvir as ideias contrárias e a dar-lhes o mesmo destaque que dá às do autor. Nos casos em que se justifica o autor deve mesmo participar. Mas como é que se sabe quando um post e os seus comentários ultrapassaram os limites ? Para um leigo é difícil distinguir um debate de uma discussão acesa, da chamada flame war. Excepto nos casos mais óbvios. E como é que se apaga um fogo destes ? Depende dos casos, e é para isso que devia servir um assessor.

Porque um comentário deve ser analisado caso a caso. Por vezes é preciso perceber quem comenta e em que contexto da blogosfera se insere. Principalmente nos casos em que a pessoa também possui um blog. Não se esqueçam ainda que os comentários nem sempre surgem através do nosso blog. Alguns comentários são o eco que outro blogger dá do tema que abordámos.

Por isso é bom saber analisar o tráfego, encontrar as reacções que o nosso post teve na blogosfera. Também é importante analisar os temas que mais visitantes trouxeram ao blog e porquê. Um blog deve ser escrito sem pensar nas estatísticas ou no impacto do que escrevemos, mas isso não significa que se feche os olhos aos factos.

A agenda da blogosfera é um dos dados importantes quando se tem um blog. São os temas mais abordados do momento. Devemos saber quais são para o caso de serem relevantes ao nosso blog, ou para podermos oferecer uma alternativa, um ângulo de abordagem diferente.

Isto tudo é só uma síntese de alguns cuidados a ter num blog. Não só para candidatos a cargos políticos, mas para qualquer um que queira manter um blog. A diferença, é que na politica um blog tem repercussões diferentes. Pode marcar a diferença entre o primeiro e segundo lugar de uma candidatura.

No livro Blogues Proibidos referem-se vários blogs locais que influenciaram a acção das respectivas câmaras municipais. O mesmo potencial de comunicação aplicado em candidaturas pode ser mais eficaz ainda.

Contudo … Ter um blog vai implicar um poder de encaixe muito grande. Principalmente na política onde as caricaturas e os sketches abundam. É preciso saber ter sentido de humor, e saber manter a distância quando é necessário.

Por ser mostrar tão peculiar é que a política precisa de profissionais de comunicação. Os blogs são uma manifestação nova de cidadania à qual muitos dirigentes e candidatos não estão habituados. Cabe aos assessores e outros profissionais de comunicação estudar e participar no fenómeno para guiar os políticos que optem por essa via.

Com especial atenção a um detalhe: se um político optar por ter um assessor a ajudar no seu blog, o melhor a fazer é tornar isso claro desde o primeiro dia. Explicar qual é o papel do assessor e certificar os leitores que o assessor não será o autor dos textos.

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