A Vossa Opinião e a Minha

O blog do Ministério da Administração Interna tem gerado um burburinho curioso.

Da minha parte acho boa ideia. Parece-me positivo que um organismo do Estado invista em canais de comunicação com o público e se torne mais transparente.

Das reacções que li, a mais curiosa aparece transcrita no blog Galo Verde:

se o Ministro Costa ou o Secretário Ex-PCP Magalhães querem dar a sua opinião sobre todos os assuntos do Céu e da Terra num sítio da net, que o façam – mas não num site do Ministério da Administração Interna pago por mim.

(retirado do http://cl-hammer.blogspot.com/)

Não me parece que a questão do uso de fundos públicos seja sequer relevante. Afinal de contas, um blog “topo de gama” custa quanto ?

O meu custa-me 8€ por ano e 3€ por mês. Isso dá 44€ cada 12 meses, podia ter-me ficado por um alojamento mais fraquinho e só custava  20€ por ano.

E se querem que vos diga, acho que até ficou um blog todo catita… :)

O único senão do blog do MAI é algo básico. Não é um blog, é uma coluna. Só merece o nome de blog quando aceitar comentários e começar a participar no diálogo. Até lá é mais um site, que por acaso tem a opinião do Ministério da Administração Interna.

Podem argumentar que é difícil gerir os comentários num blog com o nível de exposição do Nossa Opinião. Sendo assim,  o melhor seria ter escolhido outra via de comunicação.

Os comentários são essenciais por algo muito simples, são eles que trazem dinâmica aos blogs. E se o MAI defende de forma tão clara o seu direito à opinião, então deve defender também a o direito à opinião dos seus visitantes.

12 thoughts on “A Vossa Opinião e a Minha”

  1. Pela mesma ordem de ideias do Galo Verde, o Ministro Costa não pode ter opinião enquanto Ministro e só pode apenas ter a título pessoal e a tornar pública fora do “horário”?

    Ah pois, afinal ele não tem horário, é um emprego a full time.

  2. Também tenho seguido com alguma atenção o burburinho em torno do blogue do MAI. Parece-me uma boa ideia e não me importo de o ‘pagar’ com os meus impostos. Mas não concordo contigo quando dizes que sem comentários, não lhe podemos chamar blogue e que deviam ter escolhido outra via de comunicação.
    Assisti ao desaparecimento de muitas caixas de comentários em blogues sobre Política porque, pura e simplesmente, não funcionam. Os ‘Bichos Carpinteiros’, muito ‘por culpa’ da presença da Joana Amaral Dias, é um dos exemplos. Às tantas, discutiam-se coisas que pouco tinham que ver com o conteúdo dos posts. O arrastão do Daniel Oliveira é outro exemplo. O autor bem tenta, no meio de tanto ‘lixo’, responder ao que interessa. Mas já foi obrigado a fechar os comentários mais do que uma vez.
    Acho que os autores dos blogues perceberam isso – a resposta a posts faz-se de outra forma. Linka-se um pedaço do post a que se quer responder. Isso foi visível na discussão do aborto entre os blogues pelo sim e pelo não. Fora isso, há a hipótese de utilizar o e-mail.
    Apesar de tudo isto que acabei de dizer, acho que a melhor opção, no blogue em questão, teria sido a moderação dos comentários – o meio-termo. No entanto, rapidamente surgiriam as críticas à não-publicação de comentários, censura e por aí fora. Preso por ter cão, preso por não ter.

  3. Eu entendo a tua perspectiva Carlos. E até admito que a minha postura é um bocado rígida.

    Não me lembrei da opção dos trackbacks ou dos posts com links para o artigo original. No entanto, o blog do MAI também não dá exposição aos trackbacks (que eu tenha visto… se estou enganado avisem).

    E mais, nem toda a gente tem um blog. Todos temos é qualquer coisa a dizer. E por isso é que surge o problema dos comentários.

    Como tu lembraste, e bem, há comentários em blogs políticos que pura e simplesmente não interessam por várias razões.

    Por mim, não gosto da moderação mas é um mal necessário em alguns contextos. Há a possibilidade de ir dando um nível de confiança maior a comentadores regulares e que mostram uma atitude positiva. Com respeito, opiniões fundamentadas e de preferência opostas (para estimularmos o diálogo).

    Há falta de trackbacks, o MAI podia mostrar no blog links de clipping-online. As reacções nos blogs de maior exposição, artigos de jornais, videos, reportagens ou outro conteúdo qualquer.

    O Cláudio fez-me lembrar que ter um blog pode ser um trabalho em full time. Porque os blogs são opinião, comunicação e debate. Quanto maior é a exposição, mais isto é verdade.

  4. Caro Bruno;

    Se o blogue do MAI custa 44€, ou 100€, ou 0,01€, é indiferente. Custa dinheiro, e não serve para nada que beneficie os serviços que deve prestar. Não deve existir.
    Quanto ao mais que se disse, o Ministro pode ter opinião e expressá-la quando quiser: mas à sua custa.

  5. JV, eu entendo o teu ponto de vista. Há casos em que não se devem usar os fundos públicos.

    No entanto, comunicar com os eleitores deve ser um Dever de qualquer órgão do Estado. E raramente isso acontece. É uma pena. E essa falta de diálogo com o público pode trazer custos mais elevados para o Estado.

    Quanto ao facto de ser a opinião do Ministro, estamos a falar de alguém que toma decisões que afectam o nosso dia a dia. Por essa razão, eu quero saber a opinião dele. Quero saber porque é que algumas decisões são tomadas e perceber se ele foi bem ou mal escolhido para o cargo.

  6. Bruno, a questão é que ele não usa o blogue para explicar os motivos que o levam a tomar esta ou aquela medida. O único fim do sítio é polemizar com os cronistas, é responder ao que eles dizem. Por isso, como escrevi no texto que transcreveste, se ele se sente incomodado com o que dizem dele que escreva para os jornais em causa, crie um blogue, etc., mas que faça isso do bolso dele. Usar os meios do MAI para ajustes de contas pessoais entre ele e o Pulido Valente ou outra pessoa qualquer é coisa que não tolero.

  7. “O único fim do sítio é polemizar com os cronistas, é responder ao que eles dizem. Por isso, como escrevi no texto que transcreveste, se ele se sente incomodado com o que dizem dele que escreva para os jornais em causa, crie um blogue, etc., mas que faça isso do bolso dele.”

    A questão é que quando os cronistas entram em discussão com o ministro, fazem-no em relação às opções que este toma enquanto ministro, não enquanto cidadão. Ou seja, uma polémica entre cronistas e o ministro é uma polémica entre cronistas e o MAI. Daí a pertença do blogue ao MAI. A mim faz-me todo o sentido. O mesmo já não digo em relação à não publicação de trackbacks como referiste, Bruno.

  8. Estou a gostar cada vez mais dos vossos comentários. Porque pelo que vejo não se trata de existir um blog ou não, mas sim da linha editorial do blog e a postura do ministro.

    E isso tem uma solução simples, podemos pressionar o MAI com sugestões construtivas para dinamizar o blog.

    Terem investido num blog significa que não é só aos jornalistas que devem responder, é também aos bloggers.

  9. Carlos, é indiferente se os cronistas não concordam com o MAI não compete ao Ministro. Não consta das competências do MAI fazer polémica; não é para isso que eu pago, percebes? Não é para o senhor Ministro andar a responder ao Vasco Pulido Valente.

  10. Bruno, com franqueza: tu acreditas mesmo que o MAI ligava uma pevide ao que lhe pedissem para incluir na linha editorial? Santa Ingenuidade! O que ele está a fazer é servir-se de meios do Estado para fazer vendetas. Nem mais, nem menos.

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