Este post não tem nada a ver com o encerramento do Btuga

Indirectamente, até tem um bocadinho a ver. Mas já vão perceber porquê.

Primeiro, nunca usei os serviços do btuga. Acreditem em mim. Como uso um ISP que não distingue entre tráfego nacional e internacional nunca precisei dele.

Reparei que os blogs do planet geek e do prt.sc mencionaram o encerramento do site. E a minha primeira reacção foi dizer baixinho “pronto, isto entrou na agenda da blogosfera…” e continuei a observar o fenómeno.

Porque é que os bloggers receberam tantas visitas ? Foi só por causa da dita agenda da blogosfera ? Por causa de tanta gente ter sido afectada quando o site fechou? Aqui no Relações Públicas já se falou na blogosfera e na agenda de temas que ela aborda.

Pronto, a superficie da questão está explicada: O Btuga tornou-se parte da agenda dos blogs por causa da quantidade de pessoas afectadas por ver o site fechar. Entre outros factores, mas vamos manter o diálogo simples.

Este argumento, por si só é suficiente para explicar a subida de visitas aos blogs que falaram do caso. Mas pareceu-me pouco. Tinha de haver mais qualquer coisa para justificar a subida no número de visitas dos blogs.

Trata-se de credibilidade, do “sujeito que é suposto saber”. Esse sujeito começa por ser a figura paternal. À medida que o tempo foi passando esse poder de conhecimento passou para as escolas, depois para os meios de comunicação. Hoje em dia começa a modificar-se novamente.

Os blogs e outras ferramentas de informática são associados aos geeks (lê-se “guiques” !). E quando encerrou um site dedicado ao download de videos, filmes e música entre outros conteúdos, as pessoas souberam virar-se para os motores de busca.

Um jornalista desprevenido não seria capaz de explicar o funcionamento do btuga e a razão de os seus administradores se acharem isentos de culpa. Um geek é capaz disso e ainda começa a discursar sobre o tema dos conteúdos multimédia sem DRM.

É simples portanto, os blogs receberam este número de visitas por várias razões. Entre elas, porque os ditos geeks e respectivos blogs de informática estão mais informados sobre o tema do que os próprios jornalistas.

4 thoughts on “Este post não tem nada a ver com o encerramento do Btuga”

  1. “Primeiro, nunca usei os serviços do btuga. Acreditem em mim. Como uso um ISP que não distingue entre tráfego nacional e internacional nunca precisei dele.”
    Acontece o mesmo comigo.

    Se calhar percebi mal o texto e este meu comentário vai ser completamente descabido. O encerramento do btuga foi e é tão falado na blogosfera porque muitos dos seus utilizadores são bloggers e aproveitaram esse facto para tentar fazer alguma pressão. E depois há os comentários, com os utilizadores que se fartavam de fazer downloads desse tracker furiosos com o final da galinha dos ovos de ouro.
    Os jornalistas não estão bem informados porque não têm ninguém que os ajude a filtrar e interpretar a informação. Mas isso não é grave, cada um faz o que pode e/ou sabe. Grave é alguém que está no caso do encerramento do btuga vir dar uma ideia errada do tracker.

  2. Concordo com a ideia de que algumas pessoas se sentem lesadas ao fechar o btuga. No entanto, neste caso a pressão colectiva é pouca. Não se vê posts a pedir o regresso do tracker.

    E se calhar enganei-me num ponto. Há jornalistas bem informados sobre o funcionamento dos trackers. O problema é que normalmente pertencem a revistas de informática. E este assunto foi abordado por alguns jornalistas da imprensa generalista. Esses sim, estão menos informados.

  3. Não pedem a reabertura do tracker, mas falam mal da decisão de o fechar. Assim sempre se “protegem” um pouco.

    Tens razão. Alguns jornalistas das revistas de informática (apenas alguns, porque há outros que escrevem bacoradas ou então limitam-se a traduzir textos…) sabem do que escrevem, felizmente. Mas a imprensa generalista, como dizes, é para esquecer. Vê aquele jornalista (penso que é jornalista) da sic generalista que costuma falar de informática de vez em quando. Já o ouvi mandar cada calinada, que até me arrepiaria a alma, se a tivesse.

    O que é interessante, e ao mesmo tempo preocupante, é a aparente desinformação das autoridades em relação a isto. E isso ainda pode vir a dar chatices.

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