Ética no relacionamento com os bloggers

Segundo a Flávia, este tema apenas foi comentado nas conversas da Unicer.

E a razão para isso é compreensível, é algo que ainda não foi pensado pelas agências de Relações Públicas.

Mas vamos desmontar a questão. No passado, as agências de relações públicas só tinham de comunicar com Jornalistas e outros empresários ou profissionais de comunicação. Com a web 2.0 isso mudou.

Hoje em dias as agências de comunicação têm de comunicar com bloggers de nicho por exemplo. E nem todos encaixam na categoria de pro-blogger ou adoptam a postura critica desejável. E nem precisam, escrevem sobre o que gostam e são pessoas que podem viver muito bem sem as agências de Relações Públicas.

Quando um relações públicas contacta com um jornalista está numa posição de igualdade. O jornalista está ciente do seu papel e do papel do seu interlocutor. Mas quando não se trata de um jornalista e de um blogger o caso muda. Os bloggers não conhecem o meioe um relações públicas pode facilmente aproveitar-se da posição de superioridade. Da mesma forma, em caso de se sentir enganado o blogger não tem a quem recorrer para reclamar ou pedir justiça.

Já mencionei aqui no Relações Públicas que os bloggers precisam de um código de ética e acho que esse já existe. Apesar de não ser explicito é algo que coordena uma postura de auto-regulação.

Do lado dos relações públicas é que a falha é maior, principalmente em Portugal. Portanto fica aqui o desafio às agências: assumam princípios de ética no relacionamento com os bloggers e comuniquem-nos.

Nem se trata de algo novo, a Ogilvy já tomou essa medida.

4 thoughts on “Ética no relacionamento com os bloggers”

  1. Bruno,

    permite-me «puxar a brasa à minha sardinha».

    Não é vero, embora compreensível, que as agências e as consultoras de comunicação não tenham pensado ou pensem nas questões de relacionamento com os bloggers. Ou até mesmo na relação com outros intervenientes da comunicação digital.

    Mas sim, essa reflexão não foi ainda transposta para uma «oficialização». Pelo menos em Portugal.

    Mas as consultoras (não sou muito fã da expressão agência) têm também o seu código ético, independentemente do que cada um de nós possa pensar dele.

    O relacionamento com a imprensa está maduro, onde cada parte sabe naturalmente com o que conta do outro lado.

    O relacionamento com os bloggers é algo de novo, incipiente. Nenhuma das partes sabe muito bem o que esperar da outra.

    Temos os exemplos norte-americanos que nos servem de base de aprendizagem, mas na prática, é um caminha que cada um de nós, individual e colectivamente terá de percorrer.

  2. Precisamente Miguel. A questão é que tendo o exemplo americano (e britânico de que nos esquecemos tanto), já deviamos estar a olhar para essas questões e a debatê-las entre as duas partes.

  3. Sem dúvida. Já estou a recolher as best practices, que se centram numa dezena de chavões de senso comum.

    Facto é que em Portugal, o envolvimento corporativo com a blogosfera é extremamente diminuto, pelo que as agências/consultoras só agora começaram a perceber a necessidade de definir as suas «rules of engagement».

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